segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Quando


Quando
 (Noly Oliveira)

Quem é enfim você que crê ter saber, sabor, amor?
É um nada, sortudo, macho ou femêa, desnudo
A alma canta... e grita... e geme... e implora...
Alivio... Auxílio... Agora...
Sem pressa expia a mágoa
Que ressoa, ao vento balança
Se lança e rompe o silêncio... e parte
Não és tu, explode o Eu
Somente eu, eu, eu, eu e eu...
Enxergo e não nego o breu
Todos são, todos vêem o que querem
Ferem, e ferem, te ferem ... se ferem
Masoquistas, espiritualistas, insanos
Se guardam e guardam profanos
Saberes, dizeres, falamos
É hoje, agora, vamos!

Resumo: Currículo e pratica docente Assistentes Sociais no exercício da docência: aprendizagem do saber ensinar,

Resumo: Currículo e pratica docente Assistentes Sociais no exercício da docência: aprendizagem do saber ensinar, de Yara Pires Gonçalves.
Noly Oliveira [1]

Da compreensão de uma epistemologia da prática em construção capítulo três da tese Currículo e pratica docente Assistentes Sociais no exercício da docência: aprendizagem do saber ensinar da autora Yara Pires Gonçalves discute o saber social, o saber docente em sua multidimensionalidade, as dimensões contextual, humano, lógica, técnica, interativa, reflexiva, ideológica, ética, pedagógica – subdividido entre o saber curricular, o saber de experiência e o saber docente.
O saber social é notado como aquele que esta impregnado na sociedade (nos sujeitos sociais) expresso no currículo e transmitido pelo educador, pois este pertence a sociedade, vive a realidade imediata, logo, é um ator social, e enfatiza a importância de atentar para a formação do educador e fazer profissional.
A relação saber docente e saber social ocorre de forma direta e possui via de “mão-dupla”, gestadora e formadora de um saber fundamental e social dentro da sociedade, com interfase nos movimentos dialéticos resultantes deste processo.
Retrata que a multidimensionalidade por ela construída se dá como produto dos diversos olhares de diferentes autores impregnados de concepções e idéias, tendo por eixo comum à dimensão humana, lógica, ética ideológica do saber ensinar sem, entretanto perder a noção de conectividade.
Aborda que a indissociabilidade dos saberes científicos, culturais e sociais mantém relações universais, parciais e singulares que são refletidas na ação docente construída em relações concretas, conflituosas e dialéticas. Comenta também sobre os objetos-condições que ergue muro entre o saber acadêmico e o saber prático.
Valoriza o homem como sujeito epistêmico, detentor de valores humanos, éticos, culturais, conhecimento factual, racionalizado, que interage dialogicamente, e horizontalmente, para reforçar a dimensão democrática, critica e organizacional dos sujeitos. Lembra que embora o educador seja o instrumento da aprendizagem do aluno e ser regente desta relação à mesma não ocorre de modo vertical, abri assim espaço a alteridade.
Os saberes presentes na ação educativa esta permeado do saber gerenciar os conhecimentos adquiridos no processo de formação e efetivação de sua prática docente, pondo em questionamento as racionalidades técnicas, relativas e reflexivas, numa racionalidade interativa conforme retrata em diálogo com diversos autores, dentre os quais: Giroux e Dewey. Prioriza a necessidade da formação docente deve perpassar aos ensinamentos científicos e trocar experiências e pensar com o coletivo, possibilitando a participação do todo.
A luz da questão da representação social discute os conceitos de sociologia e psicologia social, importante para abordar a presença da mesma no currículo. A ética e seus princípios são inseparáveis da pratica e do currículo educativo, ou seja, do projeto coletivamente traçado e elaborado para a escola como espaço de construção e reconstrução de valores múltiplos.
Infere que ação pedagógica ocorre nas dimensões do saber ensinado (das disciplinas, curricular), o saber de experiência (trazido pelo próprio educando) e o saber docente (direcionado para a pratica docente) apropriados, reproduzidos e resignificados pelos discentes e docentes com foco multidimensional que qualifica e amplia o seu raio de ação e conhecimento-base promovendo a compreensão do ensino-aprendizagem (são eles: conteúdo do conhecimento; conhecimento pedagógico geral; conhecimento de currículo; conteúdo de conhecimento pedagógico; conhecimento de aprendizes e suas categorias; conhecimento de contextos educacionais; conhecimento de contextos educacionais; conhecimento para fins educacionais, propósitos e valores e suas fundamentações filosóficas e históricas) e cita algumas de suas maiores fontes do conhecimento-base.
Por fim, afirma que o saber ensinar ocorre de fato na ação prática individual e coletiva, sendo transitória por percorrer o caminho aluno para o futuro profissional de assistente social, re-elaborando, re-significando e apreendendo via reflexões críticas visíveis em seu contexto social, político, cultural e educacional.

Resumo: Currículo e Formação Continuada de Professores, de Sérgio Donizeti Mariotini

RESUMO
Noly Oliveira[1]

O artigo Currículo e Formação Continuada de Professores, de Sérgio Donizeti Mariotini, apresenta analises quanto a formação do currículo no Brasil pautado na influência da Nova Sociologia da Educação de Michael Apple e Henry Giroux, na perspectiva multiculturalista e na formação de professores como fator preponderante da produção do conhecimento escolar.
A partir do panorama histórico dos anos 1980, traça um quadro das discussões educacionais, sob referenciais distintos (a exemplo de Alice Casimiro Lopes, Elizabeth Macedo, Tomaz Tadeu da Silva, Nilda Alves e Moreira) instiga reflexões quanto aos eixos curriculares, a formação dos educadores, influência estrangeira nas teorias e práticas do currículo, discurso pós-moderno e o foco político na teorização crítica.
Esboça que a concepção de Currículo passa pela construção social do conhecimento, observando enfoques sociológicos e seu campo de atuação pela questão política, pois os detentores de determinados capital social e cultural na área, legitimam concepções sobre a teoria do Currículo. Analisa a consolidação (cuja marca é a mescla entre o discurso pós-moderno e o foco político na teorização critica), os papéis e a relação existente entre as Escolas Democráticas e o Currículo Democrático, a relação diferença/diálogo entre o multiculturalismo e o Currículo.
Por fim, defende as contribuições de Apple e Giroux fazem melhor compreendermos o mundo social e a necessidade de profissionais do ensino como intelectuais transformadores.



[1] Educadora Social, Historiadora, Especialista em História e Cultura Afro-brasileira, Consultora em Metodologia Cientifica e Coord. de Turma PSCL. E-mail: noly.oliveira@gmail.com

O Romance Social: Lima Barreto - de Alfredo Bosi

O Romance Social: Lima Barreto
Noly Oliveira[1]

            As reflexões de Alfredo Bosi, em O Romance Social: Lima Barreto afirma que a biografia de Lima Barreto basta para explicar o contexto ideológico contido em sua obra cuja característica é sua contradição explicada por ser suburbano classe média (existindo um conservadorismo sentimental) e mulato enfermo (discrimação e preconceito).
            Segundo o autor, existe uma duplicidade de planos (narrativo e crítico) tanto no âmbito ideológico quanto estilístico de modo consciente e polêmico. Contrapondo seu estilo de escrever e pensar com o de Coelho Neto e de Rui Barbosa e aproximando-o de Marques Rabelo e Èrico Veríssimo para fazer valer reconhecer a sua modernidade estilística. Embora escolhesse e elaborasse realidades sócias o produto, na obra, era realista e intencional pautando-se na crônica.
            Para desnudar tal fato, o autor aqui faz uma pequena abordagem das obras limabarretianas.
            Em Recordações do Escrivão Isaías Caminha, Barreto encarnado em Isaías, oscila, de modo constante, seus sentimentos sempre de modo bipolar (ora rebelde, ora vencido), revelando a frustração do autor e a relação objeto / sujeito, observação social / ressonância afetiva, o que define para Bosi o estudo realista-memorialista de romancista em questão.
            Triste Fim de Policarpo Quaresma, romance de terceira pessoa cuja personagem foge ao tipo pré-formado e a projeções das amarguras pessoais. Somente o Major Quaresma diferencia-se dos burocratas e militares reformados por possuir entusiasmo ingênuo e um não conformismo. Como afirma Oliveira Lima, Policarpo possui algo de quixotesco que fora devidamente explorado (conformando o lado hilário com o melancólico) pela prosa de Barreto.
            O autor não adentra na discussão sobre o desleixo da linguagem pautada na questão estético-social, entrever, na obra, o dialético e o desencontro – visto como constante social-psíquica que desvela as defasagens lingüísticas tão rigidamente cobradas no Pré-Modernismo.
            Em Numa e Ninfa, caracteriza-se a sátira política, os personagens de tendência caricatural revelador do caráter deturpado de Numa Pompílio de Castro e a caracterização de certos tipos secundários.
As mazelas da vida brasileira reaparece entrelaçada a uma curiosa síntese documental apresentado antes do Modernismo na obra Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá. Este um espectador interessado e cético do que ocorre na sociedade carioca dos princípios do século revelador de uma consciência polêmica que reflete o próprio autor. Aproxima-se de Monteiro Lobato em função da crítica geral, antipassadista - divergindo quanto ao estilo vez que este prende-se a modelos acadêmicos – e de Machado de Assis ao adotar a linguagem do “mas”, do “talvez”, do ‘embora” tão freqüentes nas obras deste.
O núcleo de Clara dos Anjos, obra contemporânea a Recordações do Escrivão Isaías Caminha e inacabada, gravita em torno da pobreza e do preconceito racial, recheados de recortes sobre a vida suburbana, ironia e piedade.
A obra Cemitério dos Vivos são memórias e reflexões vivenciadas pelo autor que observou in loco a rotina diária de um manicômio. Ela esta dividida em duas partes: o diário onde relata sua estadia no Casarão da Praia Vermelha e o romance propriamente dito, numa profusão de tragédia doméstica com fragmentos memorialistas. O autor compara-o, pela veracidade e força do documento humano e pelo desejo de redenção pela dor descrito, a antologia situacional as Recordações da Casa dos Mortos de Dostoievski. Ao cita também as observações construídas por Coelho Neto, Oscar Wilde, Nietzsche e a poesia de Dannunziana, revela sua propulsão frente à época.
Ao utilizar em Os Brazudangas, o expediente semelhante adotado por Montesquieu em Cartas Persas revela para além do forte teor satírico e ideológico, apresenta o quanto Barreto podia e sabia sobrepor-se as frustrações e construir crítica objetiva ao modo como definia-se a estrutura brasileira da época.
Bosi conclui por definir a obra limabarretiana como carregada de desdobramento do Realismo no contexto novo da Primeira Guerra Mundial e das primeiras crises da República Velha.

REFERÊNCIA
BOSI, Alfredo. História Concisa da Literatura Brasileira. Cultrix: São Paulo, pp. 316 – 324.


[1] Educadora Social, Historiadora, Especialista em História e Cultura Afro-brasileira, Consultora em Metodologia Cientifica e Coord. de Turma PSCL. E-mail: noly.oliveira@gmail.com

RESENHA CRITICA (Teoria Walloniana)

RESENHA CRITICA (Teoria Walloniana)
       Noly Oliveira[1]
       A coletânea Henri Wallon: Psicologia e Educação organizado por Abigail Alvarenga Maholey e Laurinda Ramalho de Almeida aborda a compreensão e descobertas quanto à Teoria dos Estágios do Desenvolvimento Humano do supracitado autor é importante para que educadores tenham compreensão do que ocorre em sala de aula e possam atuar com responsabilidade e competência.
       Na introdução Abigail Alvarenga Maholey descreve os motivos que levou a construção desta obra e traça rápida biografia de Wallon, destacando o interesse deste pela educação por entrever seu enriquecimento através da psicologia inter-relacionada aos conhecimentos da biologia e sociologia.
       Wallon era francês, viveu entre 1879 e 1962, e obteve forte formação em filosofia, medicina e psiquiatria, áreas que iriam influenciar seu interesse por psicologia. Vivenciou duas Guerras Mundiais: participou na primeira e como médico observou lesões orgânicas e seus reflexos sobre processos psíquicos; na segunda atuou no movimento da Resistência contra os invasores nazistas, fator que fortaleceu sua crença na necessidade da escola assumir valores que reforçassem a construção de uma sociedade justa e democrática. Das  obras voltadas para a educação elaborou, junto ao físico Langevin e outros colaboradores, o Projeto Langevin-Wallon cujo objetivo era reformar o sistema educacional francês.
       Wallon dedicou-se primeiro a psicopatologia. Seus estudos sobre perturbações de comportamentos em crianças de 2 a 15 anos internadas em serviços psiquiátricos lhe rendeu livro oriundo da tese de doutorado denominado L’Enfant Tubulent. Depois a obra passou por uma revisão e comparou depois estas analises aos estudos construídos a partir das observações de soldados feridos na primeira Guerra Mundial concentrando-se no processo de desenvolvimento da criança para explorar as origens biológicas da consciência.
       A Teoria do Desenvolvimento de Wallon surgiu ao comparar semelhanças e diferenças entre o desenvolvimento de crianças normais e patológicas, entre crianças e adultos onde identificou precipícios reguladores e vários estágios desse processo. Maholey alerta que para compreendermos Wallon não podemos nos prender ao raciocínio dicotômico, vez que todas as fases e períodos estão inter-relacionadas e o desenvolvimento dar-se-á por rupturas.
       No texto Estágio Impulsivo Emocional, Capítulo I, as autoras Márcia Pires Duarte e Maria Lúcia C. R. Gulassa abordam o primeiro estágio da teoria walloniana que compreende o período de 0 a 1 ano de idade e contém duas etapas: da impulsividade motora e emocional.
       Evidenciam que Wallon ressalta a relação de dependência criança/meio-externo (adulto) neste período, constituindo a comunicação recíproca cuja construção de significados dar-se-á de modo comum e paulatina para ambos – a vivencia sincrético-social antecede a formação da consciência de si através dos complexos exercícios de relação e interação, numa relação dialética, o eu e o outro internalizados serão parceiros construtivos da via psíquica, sendo ele autor e objeto da ação –, fase de predominância afetiva e centrípeta (volta-se para dentro de si, interioridade).
       Na primeira etapa denominada impulsividade motora (de 0 a 3 meses) há predomínio da movimentação reflexiva, impulsos descontínuos provocados por tensão – seja de origem interna ou externa – pelo não pronto atendimento de sua necessidades repercutindo tal ação no meio e leva o adulto a busca de ler sua necessidades.
       Dentre as fases dessa etapa destacam-se: as sensibilidades interoceptivas (reuni sinais dos órgãos internos, pois as terminações sensitivas se localizam nas viserais), proprioceptivas (apresenta impressões musculares caracterizada pela relação ao movimento e equilíbrio do corpo no espaço, comandadas pelas terminações sensitivas do aparelho muscular, tendões e articulações que reagem aos estímulos intero e proprioceptivos) e exteroceptiva (ligada à afetividade, esta relacionada ao conhecimento do mundo exterior); a simbiose fisiológica (total indiferenciação entre as diversas necessidades fisiológicas e as diferentes formas de satisfazê-las) e afetiva (período inicial do psiquismo estabelece o ser humano como mediador entre o fator fisiológico e o social e o circuito simbiótico associado à maturação da fase anterior); o movimento – é o mais destacado por Wallon por ser uma das principais formas de comunicação da vida psíquica do bebê com o ambiente externo - se apresenta de três formas: movimento de equilíbrio (reação de compensação e reajustamento dos corpos sujeito a gravidade – deitado, sentado e de pé – que gera conquista do espaço e mudança de comportamento); movimentos de preensão e de locomoção (deslocamentos de corpo e dos objetos no espaço, dominando este último e  compreendendo a si mesma); e reações posturais (entendido como resultado da atividade muscular que pode ser percebido sob os aspectos  distintos e complementares, clônico - músculos de alongamento e acolhimento - e o tônico  - atitudes e posturas - deslocamento dos segmentos corporais que permitirão atitudes expressivas e mímicas ). Ao final desta primeira fase já perceber-se em transito a fase emocional.
       Na segunda etapa –– nomeada de emocional – caracteriza pelas transformações das descargas motoras em meio de expressão e comunicação do bebê com o adulto que passam a ser graduadas e identificadas com ausência de instrumentais cognitivos, culminando na primeira forma de sociabilidade, via experiência de trocas e estímulos externos, e inicio da vida psíquica ao elaborarem as primeiras imagens mentais, marcas individuais, diversificar e concretizar suas atitudes, aguçar e antecipar situações transformando estes sinais em sinais de cognição.
       É importante nessa etapa a relação direta existente entre emoção e tônus, passíveis de interpretação graças ao grau da função tônica e o seu suporte á manifestação da emoção, ambos complementares. As atividades circulares (de repetição) ocorrem aos cinco meses movimentos inicialmente causais, repetidos intencionalmente pela criança que ira investigar as possibilidades diante da variação de movimentos decorrentes do nível de evolução – de atos impulsivos, movimentos intencionais fazendo uso da associação dos campos sensoriais e musculares, graças à maturação do córtex cerebral, através da exploração e progressos na percepção, manipulação/preensão e constituição da linguagem (este resultante dos campos sensoriais auditivos e vocal). Em suma é importante instrumento de aprendizagem em diferentes áreas iniciando-se neste o estágio seguinte, o sensório-motor, onde o interesse deixara de ser centrípeta para ser centrífuga.
       A passagem do estágio impulsivo emocional para o estágio sensório-motor e projetivo ocorre à passagem da presença da subjetividade afetiva e construção de si ao identificar e explorar objetivamente seu próprio corpo adquirindo conhecimento sensório-motor corporal que resulta maior exploração do mundo exterior.
       No texto Estágio Sensório-Motor Projetivo Lúcia Helena F. Mendonça Costa dedica-se, no Capítulo 2, a analisar tal estágio compreendido entre crianças com 1 a 3 anos de idade. Inicia ressaltando os meandros entre estes dois primeiros estágios da teoria walloniana. Cita as conquistas das crianças (primeira parte desse estágio) auferidas pelas marcha e linguagem possibilitando o desenvolvimento da inteligência das situações, permitindo transparecer a busca por independência e exploração investigativa espacial ao seu redor.
       Tal fato propício à segunda parte desse estágio: a etapa projetiva - particularizada pela forma do funcionamento mental das crianças que redimensiona a percepção dos objetos e do mundo a partir da ação motora – que possui dois movimentos corroboradores nas expressividades da atividade mental denominados de imitação (participação e desdobramento do ato induzido por modelo exterior; recurso simbólico que prepara para a representação) e simulacro (caracteriza-se pelo exercício ideo-motor, ou seja, pensamento apoiado em gestos). Através da linguagem a criança poderá revelar elaboração das imagens e dos símbolos expressando sua atividade mental, ou seja, a função simbólica ganha espaço.
       É importante sublinhar que as autoras supracitadas não se detém quanto ao significado da relação imagem e esquema corporal, elementos de grande importância dentro da teoria em estudo. Vale expor que para Wallon a noção de corpo sofre transformações através do processo de amadurecimento neurofisiológico da criança. A formação da imagem especular se dá quando o eu exteroceptivo fornecido pelo espelho vem juntar ao eu proprioceptivo, num processo tônico-postural, ou seja, apreende sua imagem como representação em comparação a imagem do outro. Por fim, a descoberta do seu eu favorece ao desenvolvimento do seu esquema corporal que é concebido como as diversas sensações que são gradualmente organizadas e experimentadas desde o nascimento. [2] Logo, os conceitos imagem, corpo e esquema corporal estão presentes na teoria em analise e lhe dão sustentabilidade.
       Os textos interpretativos da teoria walloniana analisados trazem tais conceitos bem intricados e intercalados. Não são discutidos em separado, mas notados em seu conjunto com as ações correspondentes do estágio em desenvolvimento.
A todo instante Wallon aborda tais conceitos ao descrever:
  • No primeiro estágio, na etapa impulsividade motora, as sensibilidades intero-proprio-exteroceptiva, a simbiose fisiológica e afetiva, o movimento (em suas três formas: movimento de equilíbrio, movimentos de preensão e de locomoção e reações posturais), na etapa emocional, quando a criança começa a buscar no outro o referencial, a comunicar-se de modo mais enfático dando os primeiros passos a sua individualidade, a agir investigativamente com seu corpo adquirindo conhecimento sensório-motor corporal;
  •  No segundo estágio a marcha e linguagem são caracteres projetivos para o desenvolvimento da inteligência situacional, que lhe permitira maior independência e exploração investigativa espacial ampliando seu campo de ação através da etapa projetiva – imitação e simulacro – e ressalta a importância da linguagem como meio de elaboração das imagens e dos símbolos, tal situação permite uma representação gráfica da imagem de si e conseqüentemente o gradual conhecimento de como funciona o corpo via experimentação.
       Torna-se, portanto, expressa a importância do estudo acerca da Teoria dos Estágios do Desenvolvimento Humano de Henri Wallon para a formação de educadores como alternativa de ampliar e aplicar os conhecimentos adquiridos expondo-os em sala de aula, obtendo melhores resultados em suas intervenções junto aos educandos.










REFERÊNCIA

COSTA, Lúcia Helena F. Mendonça. Estágio Sensório-Motor Projetivo. In: Henri Wallon: Psicologia e Educação, s/d, Edições Loyola.
DUARTE, Márcia Pires e GULASSA, Maria Lúcia C. R. Estágio Impulsivo Emocional In: Psicomotricidade: Educação e Re-educação.
MAHOLEY, Abigail Alvarenga e ALMEIDA, Laurinda Ramalho de (Orgs). Henri Wallon: Psicologia e Educação, s/d, Edições Loyola.
OLIVEIRA, Gisele de Campos. Desenvolvimento da Psicomotricidade. In: Psicomotricidade: Educação e Re-educação.  Petrópolis, RJ: Vozes, 1


[1] Educadora Social, Historiadora, Especialista em História e Cultura Afro-brasileira, Consultora em Metodologia Cientifica e Coord. de Turma PSCL. E-mail: noly.oliveira@gmail.com
[2] Ver em OLIVEIRA, Gisele de Campos. Desenvolvimento da Psicomotricidade. In: Psicomotricidade: Educação e Re-educação. ed. 10. Petrópolis, RJ: Vozes, 1997. pp.  54-55.


Analisando a Avaliação para Luckesi e Hoffmann

       Analisando a Avaliação para Luckesi e Hoffmann
Noly Oliveira

     Ao analisarmos os textos de Cipriano Carlo Luckesi, Avaliação da Aprendizagem na Escola: reelaborando conceitos e recriando a prática, Avaliação da Aprendizagem e Ética  e Avaliação da Aprendizagem ... mais uma vez! e de Jussara Hoffmann A formação dos professores em Avaliação, respectivamente trazem a tona as conseqüências da prática pedagógica aplicada no momento de efetuar o acompanhamento da aprendizagem do educando e a preocupação quanto a compreensão dos profissionais em formação e em atuação na sala de aula, ambos em perfeita sincronia
                   Luckesi afirma que a instituição de ensino, particular ou pública, do ensino fundamental ao universitário, devem compreender claramente a importância de distinguir exame e seleção de avaliação[1].
       O autor, nos seus textos, expõe as características entre exames escolares feitas através de provas e avaliações da aprendizagem, totalmente oposta uma a outra. A primeira detém poder de aprovação/reprovação, pontualidade nas respostas, classificatórias, seletivas, estatísticas, antidemocrática e fundamentada na prática pedagógica autoritária – a Pedagogia Tradicional; a segunda é diagnóstica processual, dinâmica, inclusiva, democrática e fundamentada na prática pedagógica dialógica.
       Afirma que a vigência, ainda atual, da prática pedagógica tradicional, baseada nos modelos exames católico (Ratio Studiorum) ou protestante (Didactica Magma), em função de sermos herdeiros e vivermos, ainda, um modelo burguês, seletivo e excludente, de sociedade[2] e razões psicológicas dos professores[3]. Neste aspecto, interessante a observação de Hoffmann:

muitos professores revelam a sua impossibilidade de desenvolver processos avaliativos mediadores, porque estão cercados por normas classificatórias exigidas pelas escolas. Mas também se percebe a sua dificuldade em alterar sua prática pela falta de subsídios teóricos e metodológicos que lhe dêem segurança para agir de outra forma.

       Defende Luckesi a aplicação da Pedagogia Construtiva, como elemento fundamental para efetuar de modo eficiente o acompanhamento da aprendizagem escolar a Pedagogia Construtiva, compatível com o momento histórico presente, baseada nos seguintes fatores: compreensão do ser humano como ser em construção, que se desenvolva o princípio formativo e o princípio organizativo, admita que os educadores precisam de formação consistente e adequada para atuar profissionalmente, que a avaliação de aprendizagem  seja elabora em ações traduzidas do cotidiano baseada em conceitos adequados para não cair no vazio  e que os educadores pratiquem o ato de acolhimento e confrontação amorosa – expõe a formação de valores ao interagir com o mundo onde atua, na avaliação diagnóstica onde será delineada uma trajetória baseada na construção da experiência cotidiana vivida pelo educando.
                   A prática de avaliação da aprendizagem no ensino, exige comprometimento do professor (dentre outros efetuar o planejamento de ensino direcionado para a prática pedagógica adotada, prevendo a elaboração de instrumentos e a correção deles quando necessário), é um ato integrado com todas as atividades pedagógicas objetivando subsidiar o desenvolvimento do educando para sua experiência de vida,desvendando impasses e buscando soluções, ou seja:

a avaliação da aprendizagem como recurso pedagógico útil e necessário para auxiliar cada educador e cada educando na busca e na construção de si mesmo e do seu modo de ser na vida; o seu melhor modo de ser na vida. (LUCKESI, 2003, p.31)
                                     
                   Hoffmann (p. 69) destaca que pouco ou nada se desenvolveu quanto aos modelos introduzidos após a Pedagogia Tradicional, pois este casa perfeitamente cm a forte influencia de modelos tecnicista, fator que reduz consubstancialmente os estudos voltados para a avaliação da aprendizagem. Afirma que a consciência da natureza política da avaliação e a compreensão da dimensão que essa política tem assumido na pratica escolar deveriam ser ponto de partida para reconduzir a avaliação às suas reais funções.
                   Luckesi chama atenção para a importância da ética do professor quanto ao compromisso com a verdade nas relações interpessoais desenvolvidas no espaço da instituição escolar e na produção de bons e adequados instrumentos para a coleta de dados para avaliação da aprendizagem dos educando sem subterfúgios,[4] que os exames são necessários e úteis nas situações que exigem classificação e certificação de conhecimentos, mas não como avaliação de aprendizagem.
       Por fim, tanto Luckesi quanto Hoffmann crêem na educação pautada na contextualização da realidade, sendo ela permeada por uma formação profissional constituída de pesquisas e estudos onde a prática exercida seja coerente com a teoria, que as instituições de ensino devem analisar o que esta sendo posto de lado na formação dos seus educandos (o currículo real versus o currículo oculto[5]), as experiências de vida devem ser notadas atentamente, lidar com saberes distintos acolhendo e auxiliando na travessia permanente do conhecimento, investir na qualidade da aprendizagem afim de enfrentar e debandar o mito de reprovação nas escolas brasileiras.  

REFERENCIA

HOFFMANN, Jussara.  A formação dos professores em Avaliação. Pontos e Contrapontos.
LUCKESI, Cipriano Carlo. Avaliação da Aprendizagem na Escola: reelaborando conceitos e recriando a prática. Salvador: Malabares, 2003.
________________________. Avaliação da Aprendizagem na Escola: reelaborando conceitos e recriando a prática.
________________________.  Avaliação da Aprendizagem e Ética e Avaliação da Aprendizagem ... mais uma vez!


[1] Tais termos são comumente tomados como sinônimos de avaliação o que permite o erro de noção e pratica de avaliação de aprendizagem, pois possuem conceitos distintos.
[2] Os exames através das provas reproduzem o modelo de administração do poder na sociedade (centralizador, bonapartista), sua prática hierárquica (quem representa o sistema decide o que, como, quem e quando fazer, qual o conteúdo a ser aplicado, quem aprova/reprova), impondo a díade culpa e castigo, produzindo o antagonismo entre educandos e educadores. Atualmente a ação pedagógica esta comprometida também com o investimento no seu produto e não com o processo de aprendizagem.
[3] Os professores vivenciaram em sua vida escolar o modelo pedagógico tradicional, e mesmo discutindo tal prática no período de formação acadêmica tendem a reproduzir tal modelo na docência.
[4] Tal conduta também influencia no índice de reprovação escolar vês que o aluno sabe o assunto mas não compreende o que lhe é solicitado, logo o instrumento de avaliação é falho e conduz ao erro.
[5] Luckesi afirma em entrevista concedida a Revista Nova Escola, em Abril de 2003, que o currículo deveria distinguir e prever o que é necessário sendo a aplicação cultural posta em pratica quanto dispor de tempo, mas o que ocorre é o uso do livro didático como roteiro de aulas e as ilustrações e curiosidades contidos neles como mero entertenimento.